sábado, janeiro 06, 2007

Os Eternos Culpados - parte 2


O crime de ser independente
Após o final da II Guerra Mundial, ficou evidente a necessidade da criação quase imediata de um Estado judeu. O Reino Unido também queria se retirar da administração da Palestina. As Nações Unidas, após muita discussão, criou a resolução 181 de 1947, dividindo a região em duas, uma árabe e outra judaica. O "plano de repartição", como ficou conhecido, foi muito criticado pelos dois lados mas acabou sendo aceito com reservas pelos judeus. Os árabes, porém, não aceitaram o plano. Por que eles não aceitaram? O que eles queriam que fosse feito em vez disso? Estudaremos os motivos mais abaixo.

A Guerra Árabe-Israelense de 1948
A partir de 1948, Egito, Síria, Jordânia, Líbano e Iraque, não tendo aceito a criação de dois Estados, um para os Judeus e outro para os Palestinos, iniciaram uma guerra de cinco contra um (com pequenas ajudas da Arábia Saudita e do Yemen). Alguém já parou pra pensar que se esses países tivessem aceito o plano, talvez já existisse uma Palestina em paz, hoje?
Após muita luta, os israelenses conseguiram repelir os ataques e ainda conquistaram mais território; acabaram tomando 50% do espaço previsto pelas Nações Unidas para ser da Palestina e assinaram tratados de paz com cada país árabe em separado. O Egito e a Jordânia recém-formada tomaram o controle da Faixa de Gaza e da Margem Ocidental do rio Jordão, territórios esses que também seriam da Palestina proposta pela ONU.

Os reais motivos da não criação da Palestina
Quando da rejeição ao plano de partição do território, os países árabes envolvidos disseram que não levava em conta a maioria palestina na região. O interessante é que o próprios palestinos não puderam se pronunciar. Síria, Jordânia, Líbano, Egito e Iraque simplesmente decidiram que era melhor não aceitar, pois inviabilizaria a criação de uma "Grande Palestina".
Não sei quanto a vocês, mas eu nunca vi um país entrar em guerra com outro só para ajudar um terceiro, sem ter nenhum interesse envolvido. Será que esses cinco países eram tão altruístas assim? E se o objetivo deles era dar aos palestinos o que eles queriam, por que é que Egito e Jordânia não cederam os territórios que conquistaram? Eram territórios que pelo plano da ONU já seriam dos palestinos, não é mesmo? Mas ambos mantiveram suas posses com mãos de ferro, até 1967, quando entraram em guerra novamente com Israel e perderam esses territórios que estão até hoje sob ocupação militar de Israel. Ainda assim, a Jordânia só desistiu de reclamar a Margem Ocidental em 1988 (!!).
Não é preciso pensar muito para perceber: os maiores interessados na NÃO criação da Palestina sempre foram os demais países árabes. Eles queriam simplesmente que a região fosse dividida entre eles, sem Israel, nem Palestina, deixando esses povos viverem como cidadãos de segunda classe dentro de seus territórios.
Parece uma teoria inacreditável? Bobagem? Pois é exatamente assim que os curdos "vivem" dentro do Irã, Iraque e Turquia até hoje. Sabia que os palestinos são aproximadamente 10 milhões e os curdos passam de 30 milhões? E continuam sendo alvo de perseguição dentro de vários países. Quem defende a criação da Palestina (como eu) é moralmente obrigado a reconhecer que a causa dos curdos é muito mais dramática. Saddam Hussein cansou de usá-los como alvos de armas químicas.

Quem realmente busca a paz?
Por serem da mesma etnia e religião, os demais países árabes manipulam o conflito Israel-Palestina, tentando tirar algum proveito. Ora manipulam as eleições palestinas para que grupos extremistas anti-Israel cheguem ao poder, ora permitem que milícias terroristas como o Hezbollah operem dentro de seu território sem nenhuma restrição. E quando Israel revida... todos gritam em uníssono "pobres palestinos oprimidos por Israel", "Israel quer destruir a todos nós, árabes".
É engraçado que esses países árabes não fizeram nenhum esforço para que surgisse um governo palestino legítimo. Pelo contrário, alguns deles promoveram certos "governos" que nada mais eram que fantoches. Mas Israel reconheceu a Organização para Libertação da Palestina (OLP) como sendo a única que representa os interesses palestinos e trabalha em conjunto com a Autoridade Palestina administrando os territórios em disputa, enquanto não há solução definitiva.
Esses mesmos países árabes tiveram territórios considerados palestinos em seu poder durante décadas e nenhum deles sequer cogitou cedê-los aos palestinos. Mas Israel fez isso. Demoliu casas e expulsou seu próprio povo de territórios ocupados para deixar sob controle da Autoridade Palestina.

Tenho perfeita noção que Israel já causou centenas de milhares de mortes de palestinos e árabes. Assim como estes também já explodiram incontáveis ônibus escolares, discotecas lotadas e lançaram sua cota de mísseis.
Oh, Palestina, abra os olhos! Que inimigo é esse que entrega territórios às custas do seu próprio povo? Que amigos são esses que só sabem aconselhar não descansar a mão do gatilho?

1 Comments:

At 14:00, Anonymous Fronde disse...

Well written article.

 

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